jun 022015
 

A Ira de um Anjo (Child of Rage) – 1992. O filme e o documentário feitos para a TV, baseado em fatos reais. Não existe torrent e a qualidade é baixa.

FATO: Beth Thomas era um bebê, com apenas 1 ano, a sua mãe veio a falecer no parto do seu irmão, e por causa dessa tragédia ela ficou aos cuidados do pai, que a abusou sexualmente e marcou a sua vida criança para sempre. Tanto o filme quanto o documentário falam sobre a possibilidade (ou não) da ‘cura‘ da psicopatia ainda no período da infância. O caso inspirou muitos outros filmes com este tema.

  • filme lançado em 1992, mostra os efeitos devastadores de abuso em uma criança. Também mostra que as vítimas podem ser ajudadas e explora os sentimentos de carinho e compaixão que temos para com crianças indefesas, o diretor usa essas emoções numa espécie de manipulação melodramática do espectador. Cruel, como a própria história de Beth, e isso me faz pensar a barra que foi para a pequena atriz Ashley Peldon interpretar Beth.
  • O documentário lançado em 1990, é uma compilação com as fitas da terapia do Dr. Ken Magid. Um psicólogo clinico especializado no tratamento de crianças severamente abusadas. Crianças tão traumatizadas nos primeiros anos de vida que elas não se ligam a outras pessoas. São crianças que não podem amar, ou aceitar o amor. Crianças sem consciência, que podem ferir ou até matar sem remorso.

Ambos foram intitulados ‘A Ira de um Anjo – A História de um Abuso (Child of Rage: A Story of Abuse)’.

No post tem informações detalhadas sobre este caso


SOBRE O FILME:

Em 1992, um filme sobre o caso Beth Thomas foi lançado, com o roteiro de Phil Penningroth e Suzette Couture e que apresenta diálogos bastante ‘fortes’ e serviam principalmente para demonizar Beth. Nesse sentido, o filme é bastante fiel, inclusive mostra a menininha batendo em seu irmão, destruindo seu quarto, torturando o cão da família, dentre outras crueldades.

Comentários (via Youtube):
Cleberson Amaral: O diagnóstico de Elizabeth Thomas foi de Transtorno de Apego Reativo. Independentemente de na época ser proibido diagnosticar uma criança como sendo psicopata, as causas para o comportamento estranho de Beth estavam extremamente claras e os sintomas apresentados corresponde perfeitamente com o diagnóstico dado. Mais uma vez: Sabendo a causa, há tratamento, terapia e, possivelmente, cura. Embora o comportamento de Beth demonstrasse sintomas de psicopatia, os sintomas eram facilmente justificáveis em função do transtorno ao qual foi diagnosticada. MAIS UMA VEZ, dengue e gripe têm alguns sintomas semelhantes, mas são doenças diferentes e requerem tratamentos diferentes… Só pra ser mais claro: os primeiros sintomas da AIDS são febre alta, mal estar, dor de garganta e tosse seca… E ELA NÃO TEM CURA! Embora seus sintomas sejam semelhantes aos sintomas de outras doenças. Beth teve sorte por, na época, não ser permitido a utilização do termo para diagnosticar crianças, porque com certeza seria empregado erroneamente caso alguém a diagnosticasse assim. 

Sinopse (filme):

Casal adota uma menina de 7 anos, aparentemente angelical, mas que logo revela uma personalidade cruel, capaz de manipular os adultos e cometer atos violentos contra aqueles que se colocam em seu caminho.

Ficha Técnina:

  • Direção: Larry Peerce
  • Gênero: Biografia / Drama / Mistério
  • Origem: EUA
  • Idioma: Inglês
  • Duração: 94 minutos
  • Elenco: Mel Harris, Dwight Schultz, Ashley Peldon

Assista ao filme legendado (Youtube)


SOBRE O DOCUMENTÁRIO:

A ira de um anjo é um documentário sobre a infância de Beth Thomas, vítima de abusos por parte de seu pai biológico. Devido ao grande trauma desencadeado, Beth era uma criança que não gostava de pessoas e não sentia remorso em machucá-las. Beth passou por um tratamento psicológico, sendo assistida pelo dr. Ken Magid, psicólogo especializado no tratamento de crianças abusadas. No decorrer do documentário são apresentados os diálogos entre ela e o psicólogo, assim como entrevistas com os seus pais adotivos e os resultados obtidos até então no tratamento.

A mãe de Beth morreu quando ela tinha 1 ano de idade e ela e seu irmão Jonathan foram deixados com o pai. O sádico pai abusou sexualmente de Beth durante os 7 meses seguintes até que os filhos foram tirados de suas mãos por assistentes sociais. Para se ter uma ideia, Jonathan, que tinha sete meses, estava com sua cabeça na parte de trás plana, fato ocasionado por ele ficar o tempo inteiro deitado de costas no berço. Os irmãos foram adotados por um casal que não podia ter filhos, mas nenhuma informação sobre os abusos foram passados para os pais adotivos.

No novo lar, Beth começou a ter pesadelos sobre um homem que caia sobre ela e a machucava com uma parte dele.” Os pais adotivos começaram a desconfiar de que algo estava errado. Beth foi pega várias vezes se masturbando. Em uma delas, ela fez sangrar a própria vagina e teve que ser hospitalizada. Beth também começou a torturar os animais de estimação da família. Enfiava agulhas nos animais e quebrou o pescoço de filhotes de pássaros. Ela também torturava o irmão Jonathan; dava agulhadas nele além de espancá-lo. Sua intenção era clara: ela queria matá-lo. Muitas vezes ela expressou o desejo de matar a família inteira, incluindo seus pais.

No documentário, Beth descreve o abuso que sofreu do seu pai biológico da mesma forma como descreve como molestou seu irmão, fria e calma. Talvez, o aspecto mais perturbador do comportamento de Beth seja a completa falta de remorso e preocupação por suas ações. Durante todo o tempo ela estava consciente de que suas ações eram erradas e dolorosas, mas isso simplesmente não importava para ela. Após os vários incidentes com Beth, seus pais adotivos a levaram a um terapeuta que diagnosticou Beth como sendo um caso grave de Transtorno de Apego Reativo. O Transtorno de Apego Reativo é caracterizado pelo desenvolvimento de formas perturbadas e inadequadas de estabelecer relacionamentos, geralmente por causa de uma história de maus tratos. A característica principal do Transtorno de Apego Reativo é uma ligação social perturbada e inadequada, com início aos cinco anos de idade e associada ao recebimento de cuidados amplamente patológicos.

A condição de Beth envolve a completa incapacidade de se relacionar com qualquer ser humano e uma completa falta de empatia, características presentes na psicopatia e sociopatia. Entretanto, essa definição (psicopata) não foi dada a Beth, pois, na época, o termo não podia ser utilizado como diagnóstico em pessoas com menos de 18 anos. Na verdade até hoje existe uma grande discussão em torno do diagnóstico de psicopatia em crianças.

Existem especialistas que dizem que sim, a psicopatia pode ser diagnosticada em crianças e já a partir dos três anos de idade. Já outros são mais reticentes e afirmam que não, uma criança não tem sua personalidade completamente formada, por isso o diagnostico de psicopatia não pode ser dado a crianças.

Psicopata ou não, o comportamento de Beth era tão perverso que em Abril de 1989 ela foi tirada de sua casa e internada para tratamento intensivo, colocada em uma casa especial de tratamento para crianças com transtorno severo de comportamento. No documentário, a terapeuta da casa, Connel Watkins, chega a dizer que ela já havia tido sucesso ao tratar de crianças assassinas de apenas nove anos de idade.

O tratamento imposto a Beth foi bastante rígido e cheio de regras, algo horrível para uma criança como ela, que certamente não respeita e não gosta de regras. À noite ela era trancada no quarto para que ela não pudesse sair e ferir outras crianças. Ela deveria pedir permissão para tudo. Desde a ida ao banheiro para fazer xixi até para beber água. Ao longo do tempo estas restrições foram sendo tiradas e o comportamento de Beth pareceu ter melhorado. O documentário termina com a aparente recuperação de Beth. Mas não se enganem com o final do filme. Não estaria a pequena Beth manipulando seus terapeutas? Não teria os próprios terapeutas mascarado o comportamento de Beth? No fim do documentário Beth chora ao escutar uma pergunta sobre abuso.

Quanto a Beth, ela cresceu e formou-se em enfermagem e, aparentemente, vive uma vida normal. Viver uma vida normal, porém, não quer dizer que ela deixou de ter um transtorno antissocial. Não significa que ela é uma psicopata, mas que a maioria dos psicopatas não matam. Ao contrário, eles usam a manipulação e o carisma para se dar bem na vida. Eles aprendem a imitar emoções, apesar de sua incapacidade para realmente senti-los, o que faz com que, aos olhos de outras pessoas, pareçam inocentes e normais. Psicopatas são (frequentemente) educados e possuem empregos estáveis. Alguns são tão bons em manipular, que formam famílias e relacionamentos de longo prazo com outras pessoas, sem que elas suspeitem de absolutamente nada.

FONTE: oaprendizverde.com.br

 


Um fato interessante com relação a essa história. Em abril de 2000, Connel Watkins, a terapeuta de Beth, conduziu uma sessão de terapia fatal em uma menina de 10 anos chamada Candance Newmaker. A terapia culminou na asfixia de Candance. Connel foi condenada a 16 anos de prisão, cumpriu sete anos e foi libertada em 2008. Ela foi proibida de trabalhar com crianças. Clique aqui para mais informações sobre esse caso *REAL* (em inglês)

 

  8 Comentários para “Child of Rage – 1992”

  1. É incrível a frieza de como a menina descreve os fatos no documentário.

     
  2. Nao consegui ver depois de um certo tempo. Fiquei emocionada. Esperei algum tempo e então, sim, fui até o final.

     
  3. Vou recomendar para ser visto pelos meus estagiários do Juizado da Infância e da Juventude.

     
  4. Bom pacas este filme não conhecia. Parabéns pelo blog

     
  5. Drama perturbador sobre os maus tratos feitos a crianças e as consequências no seu comportamento emocional/social. Este filme revela uma verdade dramática: a de que as crianças que sofrem abusos acabam por se tornar abusadoras.
    Mas também mostra outra realidade positiva que é a do lado afectivo e do amor incondicional dos pais adoptivos.
    Apesar de ser um filme cruel gostei pela mensagem que passa: o amor vence tudo.
    Cristina

     
  6. O tema realmente é perturbador !
    Vi esse filme a bastante tempo, vou baixá-lo e revê-lo.

     
  7. Vi esse filme há um certo tempo e confesso: o tema também me perturba demais. Não conseguirei rever.

     
  8. Dá para fazer o download do youtube.

     
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