Nashville NA-1200 AT: a potência analógica brasileira que embalou festas e sistemas hi-fi nos anos 80
O Nashville NA-1200 AT é um amplificador de potência estéreo fabricado pela Micrologic, integrante da linha Nashville – uma família de equipamentos de áudio que conquistou o mercado brasileiro pela robustez, potência farta e custo acessível. Em uma época em que o som de qualidade passava obrigatoriamente por um bom amplificador, o NA-1600 AT atendia tanto ao audiófilo doméstico quanto ao dono de bar, pequena casa de shows ou sonorizador de festas.
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Abaixo, um raio‑X desse clássico nacional.
Nashville NA-1200 AT: O Amplificador de Potência Clássico Brasileiro
O Nashville NA-1200 AT é um amplificador de potência estéreo que marcou época no mercado brasileiro de áudio profissional e hi-fi. Fabricado pela Micrologic – empresa nacional com forte atuação nas décadas de 1980 e 1990 –, o modelo pertence à consagrada linha Nashville, reconhecida pela robustez, fidelidade sonora e excelente custo-benefício. Com arquitetura totalmente analógica e componentes discretos, o NA-1200 AT entrega potência real de 140 W totais em 8 Ω (2 x 70 W RMS) e alcança 220 W totais em 4 Ω (2 x 110 W RMS), mostrando-se uma escolha versátil para sonorização de ambientes, estúdios e sistemas de som residenciais de alta qualidade.
1. Ficha técnica – NA-1200 AT
| Especificação | Valor / Descrição |
|---|---|
| Tipo | Amplificador de potência estéreo analógico, estado sólido (transistorizado) |
| Potência de saída (8 Ω) | 2 x 70 W RMS (140 W totais), ambos os canais acionados |
| Potência de saída (4 Ω) | 2 x 110 W RMS (220 W totais), ambos os canais acionados |
| Impedância de carga | 4 a 16 Ω (compatível com caixas de 4, 8 e 16 Ω) |
| Resposta de frequência | 20 Hz – 20 kHz (±1 dB) — cobertura completa do espectro audível com variação mínima |
| Distorção harmônica total (THD) | ≤ 0,05% (1 kHz, potência nominal) — valor baixo, indicando amplificação limpa |
| Relação sinal/ruído | ≥ 100 dB (A‑ponderado, potência nominal) — praticamente isento de chiados e zumbidos |
| Fator de amortecimento (Damping Factor) | > 60 (8 Ω, 1 kHz) — excelente controle sobre os falantes graves, resultando em um som firme e sem “arrastos” |
| Sensibilidade de entrada | 1,2 V RMS (para potência nominal) |
| Impedância de entrada | 47 kΩ (desbalanceada, RCA) |
| Entradas | Conectores RCA (L/R) para sinal de linha; alguns modelos incluem entradas de Tape (gravação/reprodução) para loop de fita |
| Saídas | Bornes de alto-falante (parafuso ou banana) para 2 pares de caixas (A / B), com chave seletora frontal; saída de fone de ouvido (P2 estéreo) com controle de volume dedicado |
| Controles frontais | Volume independente por canal (L/R), chave seletora de caixas (A/B/A+B), chave de Loudness (compensação fisiológica), controles de graves e agudos (em alguns modelos), chave de Tape Monitor |
| Alimentação | 110/220 V AC, selecionável por chave traseira |
| Consumo máximo | ~350 W |
| Dimensões (LxAxP) | 440 x 140 x 320 mm (padrão rack 19″ adaptável) |
| Peso | ~10 kg — construção robusta com transformador de grande porte e dissipadores laterais |

Explicação para leigos: A Série NA (Nashville Amplifier) entrega potência suficiente para sonorizar uma sala grande ou um pequeno salão com clareza. A baixa distorção (<0,05%) significa que o som não fica “rachado” mesmo em volumes elevados. O fator de amortecimento elevado garante que o amplificador “segure” o movimento dos woofers, resultando em graves precisos, sem ressonâncias indesejadas. A possibilidade de conectar dois pares de caixas (A+B) permite sonorizar dois ambientes ou empilhar caixas para maior volume.
2. A História da Série NA da Nashville
A linha Nashville foi criada pela Micrologic, empresa brasileira com sede em São Paulo, que despontou no final dos anos 1970 fornecendo equipamentos de áudio profissional e semi-profissional com excelente relação custo-benefício. A série “NA” – sigla para “Nashville Amplifier” – tornou-se a espinha dorsal do catálogo de amplificadores de potência da marca, conquistando rapidamente músicos, sonorizadores e audiófilos que buscavam potência real, durabilidade e timbre agradável sem o elevado custo de importados.

Os amplificadores NA foram projetados com componentes discretos, estágios de saída em topologia push-pull complementar e fontes de alimentação lineares superdimensionadas, características herdadas da construção de equipamentos de som profissional. Essa filosofia garantiu longa vida útil e um som encorpado, com médios presentes e agudos suaves, que se tornou a marca registrada da série. Ao longo dos anos, a Micrologic evoluiu a linha, introduzindo proteções mais sofisticadas, controle de ganho independente e chaveamento de tensão, culminando em versões como a “AT” do NA-1200.
A Micrologic produzia desde equalizadores e mixers até amplificadores e receivers, sempre com a proposta de oferecer equipamentos robustos e de bom desempenho a preços competitivos. A submarca “Nashville” foi usada para identificar uma linha de amplificadores de potência e receivers de estética sóbria, com painéis em alumínio escovado, VU meters azuis e knobs de alumínio torneado.
A série NA (Nashville Amplifier) começou no início dos anos 80 e rapidamente se popularizou. Eram amplificadores que podiam ser usados tanto em sistemas hi‑fi domésticos (conectados a toca‑discos, tape decks e equalizadores) quanto em pequenas sonorizações profissionais (bares, igrejas, festas). Os modelos variavam de 30 W RMS por canal até mais de 120 W RMS, cobrindo todas as necessidades de potência da época.
Apesar do sucesso, a Micrologic encerrou suas atividades no final da década de 1990, tornando seus amplificadores itens de colecionador e altamente desejados no mercado de usados. A fama de “tanque de guerra” e a possibilidade de manutenção simples mantiveram muitos exemplares em pleno funcionamento até os dias atuais.
3. Cronologia dos modelos da série NA da Nashville
Observação: Os anos são aproximados, baseados em catálogos e relatos de colecionadores. A nomenclatura “AT” provavelmente indica “Amplificador de Transistores” ou “Amplificador de Tensão”.
| Ano (aproximado) | Série / Modelo | Características principais |
|---|---|---|
| 1980 | NA-400 | Amplificador estéreo básico, 2 x 40 W em 8 Ω. Chave de tensão 110/220 V, entradas RCA, bornes de saída, sem controle de ganho frontal. Ideal para sonorização leve. |
| 1982 | NA-800 | 2 x 80 W em 8 Ω. Estágio de saída com transistores bipolares de alta corrente. Dissipadores maiores e proteção contra curto-circuito. Primeiro modelo a oferecer indicador de clip no painel. |
| 1982 | NA-1100 | Estéreo, 2 x 30 W RMS @ 8 Ω; controles simples de volume; entrada phono |
| 1983 | NA-1200 AT | 2 x 50 W RMS @ 8 Ω; VU meters de ponteiro; loudness; chave A/B de caixas |
| 1984 | NA-1300 AT | 2 x 60 W RMS @ 8 Ω; painel em alumínio; entrada tape monitor |
| 1985 | NA-1200 | 2 x 70 W em 8 Ω e 2 x 110 W em 4 Ω. Transformador toroidal, capacitores de filtro de 10.000 µF, THD abaixo de 0,1%. Controles de nível independentes no painel frontal. |
| 1985 | NA-1400 AT | 2 x 65 W RMS @ 8 Ω; melhorias no estágio de saída; dissipadores laterais |
| 1986 | NA-1500 AT | 2 x 80 W RMS @ 8 Ω; VU meters maiores; controle de balanço; saída para fone frontal |
| 1987 | NA-1200 AT | Versão aprimorada do NA-1200. Inclui proteção térmica com sensor nos dissipadores, circuito de mute temporário no acionamento, LEDs indicadores de potência, sinal e clip por canal, além de conectores RCA com maior blindagem. Potência mantida, mas com distorção reduzida (THD < 0,05%) e SNR elevado (> 100 dB). |
| 1987 | NA-1600 AT | 2 x 70 W RMS @ 8 Ω (2 x 110 W @ 4 Ω); fator de amortecimento elevado; construção pesada; opção rack |
| 1988 | NA-1800 AT | 2 x 100 W RMS @ 8 Ω; topo de linha da série NA analógica; medidores retroiluminados |
| 1990 | NA-2000 AT | 2 x 120 W RMS @ 8 Ω; último grande lançamento; ponte para mono; visual modernizado |
| 1990 | NA-2400 | Alta potência: 2 x 200 W em 8 Ω, 2 x 330 W em 4 Ω. Topologia dual-mono com dois transformadores. Voltado para sonorização profissional e PA de médio porte. |
| 1992 | NA-500 | Modelo compacto (2 x 50 W em 8 Ω) destinado a estúdios domésticos e retorno de palco. Painel frontal simplificado, mas com mesma qualidade sônica da família. |

4. Sistema e recursos
O Nashville NA-1200 AT vai além de um simples amplificador de potência; ele incorpora um conjunto de recursos que o tornam prático e seguro para uso contínuo.
- Controle de ganho independente: um potenciômetros rotativos no painel frontal
- Indicadores visuais: LEDs no painel sinalizam estado de ligado (power), presença de sinal (signal) e pico de recorte (clip) para cada canal, ajudando a evitar distorção por saturação.
- Chave de tensão: Comutador externo 110 V / 220 V, posicionado no painel traseiro, confere versatilidade para uso em diferentes regiões.
- Circuito de proteção abrangente: Monitoramento constante de sobrecarga, curto-circuito nos terminais de saída, excesso de temperatura (desligamento térmico) e tensão contínua (DC) na saída, protegendo tanto o amplificador quanto as caixas acústicas.
- Filtro de RF na entrada: Pequeno circuito de supressão de interferências de rádio-frequência (RFI) nos conectores RCA, que evita a captação de ruídos eletromagnéticos.
- Painel rack padrão: O gabinete segue as dimensões de rack 19”, com 3 unidades de altura (3U), possibilitando montagem profissional com facilidade.
- Construção mecânica: Chassi em aço tratado, pintura eletrostática cinza ou preta (varia conforme lote), dissipadores laterais de alumínio extrudado e pés de borracha anti-vibração.

5. A fabricação do Nashville NA Serie e ano de lançamento no Brasil
O Série de amplificadores NA foi fabricado pela Micrologic S.A. em sua planta industrial no Brasil, muito provavelmente no estado de São Paulo, onde a empresa mantinha sua sede. A produção nacional era incentivada pela política de reserva de mercado da época, que encarecia os produtos importados e estimulava a indústria local. O primeiro modelo foi lançado por volta de 1987, num período em que a Micrologic já colhia os frutos de uma sólida reputação no mercado de áudio.
O acabamento em alumínio, os componentes discretos de boa qualidade (transistores de saída de potência, capacitores eletrolíticos de grandes valores) e os transformadores toroidais ou E+I generosos eram marcas registradas. A possibilidade de montagem em rack 19″ (com alças adaptadoras) o tornava uma escolha híbrida: funcionava perfeitamente na sala de casa e também em um rack de sonorização profissional.
6. Valor de mercado atual
O NA-1200 AT mantém boa procura entre colecionadores e entusiastas de áudio vintage brasileiro. Os valores variam conforme estado de conservação, funcionamento e originalidade:
- Unidade para restauro (problemas em um canal, potenciômetros ruidosos, VU meters quebrados): entre R$ 300 e R$ 500.
- Unidade funcional, sem revisão, estética com desgaste: entre R$ 500 e R$ 800.
- Unidade em bom estado, revisada (limpeza de contatos, ajuste de bias, troca de capacitores se necessário): entre R$ 900 e R$ 1.300.
- Unidade impecável, com todos os LEDs/VU meters funcionando, gabinete sem marcas: pode chegar a R$ 1.500 ou mais em plataformas especializadas.
A Nashville era representante fiel da escola de amplificação brasileira dos anos 80: potente, musical e construído para durar. Seja revivendo vinis, alimentando caixas de época ou simplesmente preenchendo uma sala com som analógico, ele continua cumprindo seu papel com a mesma garra de quando saiu da fábrica.
Os Nashvilles NAs personificam uma era em que a indústria brasileira de áudio entregava produtos à altura dos melhores importados, combinando engenharia competente, materiais robustos e um cuidado artesanal que hoje ecoa nos círculos de audiófilos e colecionadores.