abr 102022
 

A Anitta hoje é a Carmem Miranda dos áureos tempos dos Cassinos (anos 30). Não é uma comparação é apenas algo que se repete na história da ‘cultura do sucesso musical’.

Tenho pesquisado seguidamente sobre o ‘sucesso musical’ e como ele age nas pessoas (como sociedade), ainda que meu foco seja o rock e o pop, em especial aqui do sul. Percebi que é algo repetitivo, aconteceu do início do século passado (1900) até os anos 50 (desde a energia eletrica, rádio, TV, tecnologia) e a chegada do rock, ou melhor, do ‘instrumento plugado’. Vamos dar um pulo nesta parte.

A Anitta é o que se poderia dizer, uma ‘Carmem Miranda com Upgrade’. Diferente daquela da época, a Carmem foi ‘apoiada’ pelo Estado (Getulio Vargas), o nacionalismo, etc. A Anita por sua vez, parece ser o inverso, pois ela se manifesta expontaneamente e não depende ‘do Estado’ para se projetar (ao que me parece). E o ‘jabá’? Bom, nos anos 30 não existia como é hoje, todavia o Estado financiava parte deste ‘sucesso’ (com o nacionalismo). Até aqui é um fato histórico antigo, todavia se repete de outra forma. Quer ver?

O Eixo ‘rio-sao paulo’ já existia nos anos 30 aqui no RS; na mesma época os músicos locais (aqui no RS), que estavam descobrindo um outro viés musical, até mesmo ‘originalmente gaúcho’, passaram a executar as mesmas coisas que se tocavam lá ‘no eixo’ (existem as razões, no entanto é inviável de dissertar aqui). O detalhe: ficou ‘decidido pelo Estado Nacionalista’ de que o ‘samba’ seria o ‘ritmo nacional’, era o ‘simbolo brasileiro’. E ai surgem as Escolas de Samba, Pixinguinha, Adoniram Barbosa e demais cariocas. Os Gaúchos passam a fazer o ‘samba’ (e variantes), semelhante ao que já acontecia lá (Rio-SP). Ou faziam isso ou cairiam no esquecimento.

Inicio deste novo século, uma conhecidíssima apresentadora de programa ‘daquela emissora popular’ diz que ‘todo o brasileiro gosta de samba, sertanejo, funk’, ou algo neste sentido. Foi apenas uma confirmação do que aconteceu década anterior.

Nos anos 90 estavam ‘despontando’ os que hoje dominam o mercado com o ‘sertanejo enlatado’. Quando a apresentadora afirmou tal conceito, já estava claro que desta vez não era o Estado quem determinava o que é sucesso. Era a tal emissora.

E assim que a Anitta alavancou sua carreira, foi ao mesmo tempo ‘o avesso’ do ‘sertanejo enlatado’, até mesmo do funk, do samba. A fórmula foi a mesma usada nos EUA com outras artistas bem populares. Agora ela conseguiu.

A Ivete Sangalo tem um perfil semelhante, mantém as raízes do ritmo de sua origem, daquela euforia que são os trio eletricos da Bahia – e que também torna-se ritmo popular nacional e mundialmente. Lembram da época da ‘lambada’ ou caiu no esquecimento?

A Anita é o que representa o ritmo do RJ, que não é mais o ‘samba’ que até então predominava.

Era este o post textão do devaneio de hoje!

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