abr 072022
 

Foto do acervo da antiga fábrica de discos de 78 rotações do colecionador Milton Schmidt – FÁBIO KUHN/DIVULGAÇÃO/JC

Contar algo pessoal que poucos sabem, e que são coisas que acredito (hoje em dia), que são fatores ‘influênciadores’, talvez determinantes e que refletem no que tenho realizado na pagina do Relicário do Rock Gaúcho. Pode ser interessante para quem prestigia o que é publicado ‘lá’ (lembrando que nem sempre sou autor dos posts ‘de lá’).

Quando soube da existencia da publicação do livro ‘um século de música’ no RS, do Arthur de Faria, lembrei da minha vó Olga. Ela gravou 3 discos na Casa Eletrica, uma fábrica de discos que existiu em Porto Alegre e que lançou mais de mil discos. Só fui ler recentemente tal obra. Antes sabia dos videos que ele publicou no Youtube.

Eletrola, anos 50, semelhante da que existia na casa de meus avós paternos, onde vivi boa parte de minha vida.

Eu conheci varios destes discos, escutava num móvel enorme na sala que tinha radio e toca discos (tema de um outro textão). E haviam muitos discos. E bem antes de eu nascer, ela cantava na Rádio Farroupilha. ‘Rádio’, antigamente era ‘ao vivo’, direto. E ela era uma ‘contratada’ da emissora, para cantar as músicas de sucesso nas radios do RJ e SP (outro textão).

Neste meio tempo, as rádios passam a usar outra forma de propagar conteúdo e bem mais econômica. Demitiram uma galera e aos poucos foi se transformando. Aí que ela tem a oportunidade de gravar os discos. E cantava bem, Angela Maria, Dalva de Oliveira, Carmem Miranda, e todas as famosas. A vó Olga é ‘do tempo das covers’, as mesmas que acontecem hoje em dia, indiferente se ter repertorio variado ou de um determinado artista/banda e origem. (mais textão)

E outro detalhe: ela chegou a fazer apresentações na ‘TV Difusora e na Guaíba, cantando, então com a idade mais avançada, até que não pode mais seguir com isso.

Timeline:

Sou de 1967, nasci em Porto Alegre, moramos com a vó até 72, entre gatos e discos, na rua D Leonor 66. Depois fui morar na José do Patrocinio (ed Spartacus), na cidade baixa e em 1974 vim morar no bairro Rio Branco, casualmente vizinho do Miranda (e vivo até hoje, desde 86). Fui pra Viamão em 79, em menos de um ano voltei a frequentar a casa dos meus avós, pois não gostava da ‘vida rural’. Quando os visitava, ficava escutando a Contimental, gravava as musicas pra escutar em casa, num transicorder fuleiro. Mas já fazia isso bem antes, ainda ‘guri de calça curta’. Minhas primas moravam no apartamento em que ate hoje moro e era uma ‘justificativa’ pra ‘fugir de Viamão’. Dai passei a ir nas casas dos outros primos (paternos) e começou a ficar melhor: lá só se escutava rock. Nos anos 80 já era adolescente, já colecionava discos, juntava moedas, vendia coisas pra esta finalidade. Por vezes só comprava compactos. Pilha destes primos.

Quando surgiu a Rádio Bandeirantes, eu queria ser radialista, ou seja, queria trabalhar em rádio, mas estava longe de meu alcance: ‘di menor’, morava em outra cidade… (caramba, aqui tem mais um textão)

Isto foi acontecer 10 anos depois, em 1987. Minha vó ficou orgulhosa demais e foi a que mais deu apoio na familia. Meu pai sempre foi um mala, obviamente que não gostou.

Pois bem, aqui poderiam ter 2 capítulos seguidos: Como foi que o Miranda ‘voltou na minha vida’ (qdo eu o conheci, ele tinha uns 15 anos por ai, convivemos ate me mudar pra Viamão) e como a Vortex despertou o meu ‘amor incondicional ao rock gaucho’, e isso aconteceu quando ingressei na Ipanema FM (mais capitulo relacionado)

Se acaso leu até aqui, certamente entendeu a razão do ‘apelido’ que tinha na ipanema, de ‘Jelineck’.

O tratamento das idéias aconteceu na FELUSP. E de choque. Sim, eu tinha um certo ‘medo’ do Arthur de Faria. Hoje não tenho mais.

E vai ficar aqui o textão. A parte ‘medo do Arthur’ não é assustadora, mas aprendi algo.

Eu ‘chegava nele’ e dizia
– Tive uma idéia
Ele respondia
– Guarda pra ti!

Hoje sei que ele tinha razão, mas na hora era um balde de gelo polar!

 

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