mar 082022
 

UM SÉCULO DE MÚSICA NO RIO GRANDE DO SUL

Ia ‘dar uma olhadinha’ e comecei a ler, fui até p 145 do livro da história da musica no século XX no RS, na parte onde começam os anos 60.

Escrito pelo Artur de Faria, é bem completo e muito bom de ler. Se encontrarem, adquiram. Este foi presente do Jack Oldpunk. E cara, que legal este livro, gostei demais.

O que aprendi lendo estas páginas:

Existem os aspectos históricos que são elencados na obra e que dá pra entender a razão de o samba ser uma ‘corrente unanime’
– quem não gosta de samba bom sujeito não é
– sambas enredos de escolas de samba
– todo o brasileiro gosta de samba
– etc

O que dá pra chamar de ‘ROCK GAUCHO’, começa mesmo inicio dos 70 e ainda assim, influenciados pelo jazz que restou das cinzas dos grupos melódicos e a chegada da tendência americana no brasil, inicio dos anos 60

Todos sabem que o rock ainda é um gênero ‘mal visto e mal dito’ mundialmente. Observando a história brasileira no inicio do sec XX em paralelo ao XXI, acredito que o rock vai sucumbir como aconteceu no inicio do século passado em pelo menos uns 20, 30 anos pra frente.

O exemplo é a ascensão desenfreada do ‘neo sertanejo’. Assim como foi o samba e o movimento ‘nacionalista’ do Getúlio Vargas. Caso não saibam, houve uma propaganda forte dando valor ao samba, sobretudo de ‘higienização musical’ que atinge até escolas de samba, que passam a ter hinos e sambas enredos obrigatórios. Mas eles conseguiram se organizar, tanto é que hoje em dia os desfiles do RJ são destaques mundiais.

E é IMPOSSIVEL não relacionar o ambiente sócio politico com a evolução musical. Não tem como: música e politica andam juntas.

Observem que isso não se aplica ao ‘sertanejo e enlatados’, que fala das emoções pessoais, intimas e mesquinhas, jamais sobre o bem coletivo ou algo que faça pensar assim,.

O que estamos vivendo hoje, no século XXI é a ‘higienização musical’ com mesmo espirito nacionalista dos primeiro 50 anos do século anterior.

São fatos e fatores determinantes que tem resultados quase 100 anos depois. Mais ou menos um século atrás, o que aconteceu no ‘Estado Novo, entre 1937 a 1945’. É importante que se faça um resumo dos fatos:

O ‘nacionalismo de Getúlio Vargas’, período da ditadura do Estado Novo, presidente no Brasil, tinha como principais características o anticomunismo, o autoritarismo e o nacionalismo. Vargas ascendeu ao poder por meio da Revolução de 1930, foi eleito presidente de maneira indireta a partir de 1934, e, em 1937, implantou uma ditadura com censura e perseguição de opositores. Foram diversos os movimentos nacionalistas ao longo do século XX, nascidos do descontentamento de alguns grupos face às condições políticas e sociais em que se encontravam, tendo-se manifestado sobretudo após o final da Segunda Guerra 

Mundial.

Todos conhecem a música: ‘Quem não gosta do samba, bom sujeito não é. É ruim da cabeça ou doente do pé‘ (vai ter gente mordida com isso, eu sei) .Em 2015, por ai, aquela apresentadora que era bastante popular na época, manda a frase ‘todo brasileiro ama funk, carnaval, pagode e samba‘. Atualmente o ‘sertanejo sofrência’ é um ‘oligopólio’, sobretudo nas rádios, que ainda é um veículo que chega aos ouvidos da maioria da população (spotify é só pra quem pode pagar internet).

O que muda dos anos 30 pra cá na cultura musical, em suas variadas manifestações, com o movimento nacionalista daquela época? Nada. Apenas a forma de se fazer, no mais, retrocedemos – pelo menos – 50 anos em 5.

Atingiu muita gente, variadas maneiras e nos mais variados gêneros musicais diverso do que se conhece (impõe) como ‘o sertanejo universitário, sofrência, agro-hits’.

No livro supra, a mesma ‘zona de conforto’ estabelecida pelas Bandas Melódicas (com 30 músicos e que teriam que ler partituras ou não adiantava ser músico), na época do nacionalismo foram reduzindo os integrantes. Nos 80 anos depois uma pessoa poderia produzir uma sequencia de álbuns sozinho (The The, Prince, Michel Jackson são ótimos exemplos).

Se afunilar ao Rock, o gênero maldito que se popularizou entre anos 1970 e 2000, aquele que era ‘crítico e social’, acabou. Da nova safra é uma coisa muito ’emulando enlatados americanos’, chamam de ‘indie’. É assim que o ‘nacionalismo moderno’ tem se estabelecido.

De uma maneira geral, o rock dos ‘veteranos’ ainda tem raízes, já o feito pela geração de 2000 pra cá, parece desconhecer completamente esta ‘transformação sócio cultural do novo século’ e transformaram o sertanejo numa ‘Belle Époque tupiniquim’ exatos 100 anos depois do momento em Paris.

De qualquer forma procuro escutar um pouco de cada uma destas ‘novidades dos recentes 20 anos’, ainda estou por escutar algo que ‘arrepie de verdade’. Com o trabalho do Relicário do rock gaúcho, me concentro mais nas bandas do século passado, na esperança de encontrar algumas pérolas e diamantes do novo século (sim, existem preciosidades que já nascem clássicas.

‘Não deixem o rock morrer’

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