Reinaldo Portanova F°

TIMELINE: Do fonógrafo ao LP, dos telescópios às fitas magnéticas; as guerras que transformaram o mundo; a sociedade, ciência e tecnologia entrelaçadas com a evolução da música gravada; a história da humanidade contada através da evolução do som registrado no cilindro de cera ao disco rigido.

O berço da civilização entre os anos 1400 e 1800

O fim da Idade Média, a idade Moderna e início da Contemporanea

 

Considerando que serão mencionadas datas e fatos que marcaram a humanidade, e  velocidade como as coisas aconteceram no campo da ciência e da tecnologia, é importante lembrar uma parte da história ds civilizações.

‘A história se repete, mas a força deixa a história mal contada’.

Para esta introdução elaboramos um texto para o leitor se situar no tempo e no espaço.

 

Anos de 1400 até 1800

 

Para entender a Europa de 1400, é impossível ignorar o fantasma da Peste Negra, que atingiu o continente entre 1347 e 1351. Mais do que uma tragédia sanitária, foi o divisor de águas que acelerou o fim do feudalismo. Estima-se que a pandemia dizimou entre 30% a 60% da população europeia, e a demografia do continente levou cerca de 200 anos para se recuperar. O mundo medieval, estático e teocêntrico, nunca mais seria o mesmo, abrindo caminho para a ascensão de uma nova classe social.

 

Em se tratando de comunicação entre povos, podemos começar pelo papel impresso, a jornada de Gutenberg que começou por volta de 1436, quando o ourives alemão estava em Estrasburgo e começou a projetar uma máquina capaz de produzir textos em grande velocidade. Nessa fase inicial, por volta de 1440, ele já havia estabelecido os princípios básicos da sua prensa, que incluíam o uso de tipos móveis metálicos (uma liga de chumbo, estanho e antimônio), uma tinta à base de óleo (mais aderente do que as tintas d’água da época) e uma prensa adaptada dos modelos usados para prensar uvas. Estima-se que o desenvolvimento de um protótipo funcional tenha levado cerca de dez anos.

 

 

Já o calendário Gregoriano foi promulgado pelo Papa Gregório XIII em 24 de fevereiro de 1582. A adoção do novo calendário foi um processo lento e demorado, que se estendeu por mais de três séculos. Países de tradição católica, como Portugal, Espanha e Itália, adotaram-no imediatamente em 1582.

 

As nações protestantes e ortodoxas aderiram muito mais tarde, como o Reino Unido e suas colônias em 1752; a China em 1912; a Rússia em 1918 e a Turquia em 1927, sendo um dos últimos países a adotá-lo oficialmente. Estamos falando de um período de aproximadamente 340 anos.

 

 

Entre os séculos XV e XVIII, a Europa foi palco de uma das maiores transformações de sua história. Este período, que se estende do final da Idade Média ao limiar da Idade Contemporânea, foi marcado por uma profunda transição: o outrora sólido mundo feudal, abalado por pandemias e convulsões sociais, cedeu lugar ao absolutismo, ao mercantilismo e ao florescimento da cultura renascentista. Foi uma era de extremos, onde o esplendor das cortes e o avanço da ciência coexistiam com o Tribunal do Santo Ofício e a brutalidade de perseguições religiosas.

 

Paralelamente a essa ascensão burguesa, assistiu-se à formação dos Estados Nacionais e à centralização do poder na figura do monarca, consolidando o Absolutismo. Teóricos como Nicolau Maquiavel, em O Príncipe, dissecaram a política realista e pragmática necessária para a manutenção do poder.

 

Para conter ameaças à sua autoridade, a Igreja Católica recorreu a uma arma temível: a Inquisição. Atuante entre os séculos XII e XVIII, o Tribunal do Santo Ofício foi um movimento político-religioso que julgava e perseguia aqueles considerados hereges, ou seja, pessoas não adeptas ao cristianismo ortodoxo. Com a Reforma Protestante de 1517, suas atividades ganharam novo ímpeto, transformando-se em uma ferramenta de combate às novas doutrinas e de controle da fé e do pensamento. As consequências foram devastadoras, com estimativas de mortes que variam de centenas de milhares a milhões de vítimas em toda a Europa e nas colônias americanas

 

Nesse cenário de crises e opressão, um movimento silencioso, porém revolucionário, germinaria nos séculos seguintes, mudando para sempre a relação do homem com o universo. A Revolução Científica, que se estendeu do século XVI ao XVIII, representou uma ruptura radical com o conhecimento tradicional. Até então atrelada à Teologia, a ciência conquistou sua independência, passando a se basear na observação direta, na experimentação e na razão.

 

A busca por respostas na natureza, em vez de apenas nos textos sagrados, inaugurou uma nova era de descobertas. As contribuições de gigantes como Nicolau Copérnico, que reposicionou o Sol no centro do sistema solar, Galileu Galilei, que aperfeiçoou o telescópio e desafiou abertamente a doutrina da Igreja, e Isaac Newton, cujas leis da gravitação universal unificaram a física celeste e terrestre, foram fundamentais. Nomes como Descartes e Francis Bacon também contribuíram para o desenvolvimento do método científico, que permitiu o progresso acelerado em áreas como matemática, física, química e medicina.

 

Possivelmente o fim da tese do geocentrismo, a teoria astronômica consolidada e  matematicamente refinada e que se manteve como o modelo científico dominante do universo por aproximadamente 1.400 a 1.500 anos foi o período de maior avanço cognitivo da humanidade. A ideia que foi estruturada na Grécia Antiga e consolidada no século II d.C. por Ptolomeu, sendo posteriormente adotada e defendida pela Igreja Católica durante a Idade Média, pois parecia corroborar a interpretação literal de algumas passagens bíblicas que colocavam a Terra como centro da criação. Esse consenso só começou a ruir de fato a partir do século XVI.

 

Para se ter uma idéia, milênios antes de Cristo, não existia um consenso ou um debate generalizado sobre as teorias do universo como o que ocorreria na Europa do Renascimento. O que tínhamos eram visões que nasceram do esforço dos primeiros filósofos e astrônomos gregos para explicar o cosmos através da razão e da observação, lançando as sementes para o conhecimento que viria a seguir. Alguns séculos antes de Cristo (calendário), a humanidade já demonstrava grande curiosidade sobre o formato do nosso planeta, com diferentes culturas desenvolvendo suas próprias ideias. As primeiras eram, predominantemente, baseadas em uma Terra plana, um conceito que persistiu por milênios até o surgimento da ideia de esfericidade na Grécia Antiga.

 

A aceitação definitiva do heliocentrismo foi um processo gradual, com marcos distintos para a Ciência e para a Igreja Católica. A ciência consolidou o modelo a partir das obras de Newton no final do século XVII. Já a Igreja removeu a obra de Copérnico do Índex em 1758, e a teoria foi oficialmente aceita por ela entre os séculos XIX e XX. Para a maioria dos historiadores, contudo, considera-se que o heliocentrismo foi definitivamente aceito no campo científico a partir da publicação dos “Principia” de Newton (1687), e a aceitação pela Igreja Católica se deu especialmente a partir de 1822.

 

Ao final do século XVIII, a Europa que emergia não era mais a mesma. O mundo aristotélico-ptolomaico havia sido substituído por um universo infinito regido por leis matemáticas. Esse novo modo de pensar, centrado no ser humano e em sua capacidade de compreender e dominar a natureza, pavimentou o caminho para o Iluminismo e para as grandes revoluções políticas que se avizinhavam. O próximo grande salto da humanidade iniciou-se na Primeira Revolução Industrial no século XVII.

 

O tempo em que a ciência, a astronomia e a sociedade demorou para chegarmos ao seculo XXI (atual) foi completamente cercado por um regime autóritário e imperialista, baseado no medo, na coação e exploração entre seus pares até o início do século XX, momento em que a humanidade se afasta (lentamente) de dogmas religiosos e passa a usar (um pouco mais) a racionalidade.

 

 

Média: 0.0 (0 votos)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *